
Segundo orador do primeiro painel, Américo Maluana inciou a sua intervenção destacando que para integrar as preocupações da juventude nas políticas públicas é essencial compreender a diversidade interna deste grupo. Alertou que a juventude moçambicana não é homogénea, pois há diferenças profundas entre jovens urbanos e rurais, e desigualdades regionais que influenciam as oportunidades de desenvolvimento. Apontou para dados preocupantes: Cerca de um terço dos jovens são analfabetos, apenas 18% possuem escolaridade acima do nível primário e somente 1,5% têm formação superior. Além disso, a exclusão digital limita a participação: Apenas 13% dos jovens têm acesso à Internet.
Outro problema é a baixa representação política dos jovens. Maluana fez notar que desde a introdução do multipartidarismo, a presença de jovens no Parlamento e no Executivo tem diminuído, situando-se actualmente abaixo de 10%. Considerou urgente que os partidos políticos abram espaço à participação efectiva da juventude, não apenas como eleitores ou militantes, mas também como decisores e formuladores de políticas.
“A precariedade social e económica da juventude é um risco para a estabilidade política”, alertou, defendendo a necessidade de reformar e revitalizar os mecanismos institucionais existentes para participação juvenil. A integração dos jovens deve ser acompanhada de políticas de habitação e acesso à terra compatíveis com a realidade económica da maioria. Outro alerta: “Os quatro milhões de novos eleitores previstos até às próximas eleições representam um desafio e uma oportunidade para fortalecer a democracia. A participação juvenil deve ir além da retórica, exigindo acção concreta e inclusão real nos espaços de decisão”.
Américo Maluana enfatizou que os problemas da juventude são transversais e demandam maior coordenação intersectorial na formulação de políticas públicas. Defendeu a utilização de metodologias participativas, como grupos focais de discussão a nível das comunidades, para hierarquizar prioridades conforme o contexto. Sublinhou a importância de extrair lições das experiências acumuladas para aperfeiçoar intervenções e promover uma governação mais horizontal, que envolva múltiplos actores e seja sensível às contribuições dos diferentes grupos sociais.




