
Sob a moderação de Delma Comissário, Consultora para Mobilização, Engajamento e Advocacia no CESC, o primeiro painel teve como oradores o sociólogo e pesquisador João Feijó e o jovem pesquisador Américo Maluana, e discutiu a “Juventude, Finanças Públicas e Políticas de Acesso à Terra, Capital e Habitação”. Na sua intervenção, João Feijó usou a metáfora das “bombas-relógio” para alertar que Moçambique enfrenta dois choques convergentes – a bomba demográfica e a bomba climática, cujos efeitos combinados poderão tornar a vida das gerações futuras substancialmente mais difícil. Segundo o orador, se não forem implementadas reformas económicas e sociais profundas, o impacto combinado destas dinâmicas poderá comprometer gravemente o futuro das novas gerações, especialmente da juventude, afectando o emprego, a segurança alimentar e a coesão social.
O sociólogo João Feijó destacou que, historicamente, Moçambique sempre foi um país jovem, e que a juventude tem estado na linha da frente de mudanças sociais e políticas — desde a luta de libertação, à participação em movimentos de protesto contemporâneos. No entanto, o problema não reside na juventude em si, mas na economia política nacional, que mantém elevadas taxas de fecundidade (cerca de cinco filhos por mulher) e não consegue integrar a população crescente no mercado de trabalho.
Com recurso a projecções demográficas, mostrou que a população moçambicana poderá atingir cerca de 80 milhões de pessoas até 2050, com taxas de pobreza que, mesmo nas estimativas mais optimistas, rondariam 50%. Tal cenário significaria mais de 30 milhões de pessoas em situação de pobreza e cerca de 20 milhões em insegurança alimentar, criando um ambiente propício a instabilidade social e ao recrutamento por grupos armados.




