Cerca de 200 jovens oriundos de várias províncias do país participaram na Conferência Nacional da Juventude, uma iniciativa do CESC, organizada através do Programa IGUAL e projecto Pro-Cívico e Direitos Humanos, nos dias 12 e 13 de Agosto, na Cidade de Maputo. O evento que coincidiu com as celebrações do Dia Internacional da Juventude foi organizado com o objectivo de discutir e partilhar ideias, experiências, desafios que impedem a agência da juventude. Ideias inovadoras de integração da juventude nas esferas socioeconómico e política ao nível nacional ou local foram partilhadas por jovens apoiados pelo CESC (através do IGUAL) no âmbito das “Iniciativas Juvenis”.

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Além de jovens, a conferência contou com a presença de diversas personalidades, com destaque para a Directora Executiva do CESC, Fidélia Chemane; Elsbeth Akermann, Embaixadora do Reino dos Países Baixos; Satu Lassila, Embaixadora da Finlândia; e representantes do Governo, sector privado e sociedade civil. As reflexões foram organizadas em quatro painéis temáticos, nomeadamente (i) Juventude, Finanças Públicas e Políticas de Acesso à Terra, Capital e Habitação; (ii) Empreendedorismo e Inovação; (iii) Inclusão e Diversidade; (iv) Cultura, Arte, Paz e Tecnologia; e (v) Educação e Competências para o Futuro.

 

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“Juventude(s) em Moçambique: Da exclusão sociopolítica e económica à busca de alternativas de sobrevivência em contexto de "empreendedorismo" e “Inteligência Artificial” foi o lema que orientou a conceptualização dos painéis temáticos. No final, foi elaborado um documento de posicionamento inspirado nas reflexões feitas durante a conferência a ser depositado à consideração do Governo (através do Ministério da Juventude e Desportos) e à Assembleia da República. Além de dar a conhecer as principais preocupações levantadas pelos jovens, o documento de posicionamento pretende catalisar um movimento em torno de assuntos da juventude.

Na notas de boas-vindas, a Directora Executiva do CESC explicou que, além de ser uma oportunidade para apresentar os resultados das “Iniciativas Juvenis”, a conferência é um espaço de sociabilidade, troca de experiências e inspiração para todos os jovens que, com esforço próprio, resiliência e criatividade, contribuem para um Moçambique mais justo e igualitário.

Fidélia Chemane lembrou que 50% da população moçambicana tem menos de 17 anos e 80% tem menos de 35 anos, o que faz da juventude o segmento populacional que merece atenção prioritária do Governo, da sociedade civil, do sector privado e de todos os moçambicanos. Aliás, a juventude moçambicana enfrenta o que os académicos descrevem como realidade waithood, um estado de transição prolongada que suspende sonhos e aspirações, agravado pela falta de oportunidades económicas, de emprego, de educação de qualidade e de condições dignas de participação social e política.

Mas Moçambique não é apenas um país jovem pela composição demográfica, mas também pela sua história de apenas 50 anos como Estado independente, um marco que convida a pensar estrategicamente onde o país pretende estar nas próximas cinco décadas. “É nos jovens que devemos pensar quando avançamos em instrumentos de planificação estratégica. É nos jovens que devemos pensar quando pensamos a visão de Moçambique para os próximos 50 anos. É sobre os jovens que devem ser dedicados todos os nossos esforços de reflectir um Moçambique mais justo, igualitário de oportunidades para todas as moçambicanas e para todos os moçambicanos”, defendeu.

Sobre as “Iniciativas Juvenis”, Fidélia Chemane explicou que o projecto foi lançado pelo CESC em Março de 2025, com apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos, como uma aposta para testar se, com apoio e recursos adequados, os jovens seriam capazes de desenvolver ideias inovadoras, culturalmente relevantes e economicamente sustentáveis. Implementado nas províncias de Maputo, Sofala, Manica e Cabo Delgado, o projecto revelou experiências inspiradoras, com jovens LGBTQUIA+ a empreender em sectores criativos e gerar emprego; colectivos de jovens da KaTembe a formar incubadoras para mulheres vulneráveis; iniciativas digitais para a governação municipal e o engajamento político; projectos de reciclagem, reflorestamento e combate às mudanças climáticas; raparigas sobreviventes de violência baseada no género a desafiar estereótipos, formando-se em mecânica, reparação de telemóveis e informática, competindo em mercados tradicionalmente masculinos.

 

 

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